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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Exercício físico para crianças ou para adultos em miniatura?

Por Anderson Brandão

Todos já sabem que tenho um filho de seis meses de idade. O que muitos de vocês não sabem é que ter uma criança por perto não é nenhuma novidade para mim. Em muitas oportunidades precisei trabalhar com a orientação física delas. E é justamente a orientação física de crianças que vou abordar esta semana aqui no Blog.

Entendendo as crianças;

Em primeiro lugar o que é ser uma criança? Uma criança é um ser humano no início de seu desenvolvimento. São chamadas recém-nascidas do nascimento até um mês de idade, bebê entre o segundo e o décimo oitavo mês e criança quando têm entre dezoito meses até oito anos de idade (pré-púbere, antes da puberdade, crianças). Crianças pré-púberes estão em franco desenvolvimento e longe de um estágio maturacional que as permitam muito esforço. Mas isso não quer dizer que estas devem ser sedentárias (sedentário = não faz exercício físico regularmente). Pré-púberes devem se exercitar com atividades compatíveis ao seu estágio de desenvolvimento motor, psicológico e principalmente fisiológico. Isso lembra alguma coisa?

Crianças devem simplesmente brincar;

Brincadeiras como: ir ao parque, jogar bola, andar de bicicleta, brincar na piscina do clube, pique pega, amarelinha, queimado e tantas outras atividades divertidas, são as mais indicadas para esta fase do desenvolvimento humano. Atividades lúdicas ajudam a desenvolver todas as qualidades físicas treinadas dentro de uma academia e em muitos aspectos são melhores. Brincando elas expressam seus sentimentos, interagem com o mundo e o cotidiano, aprendem regras (como ganhar e perder), desenvolvem a inteligência e a autoestima. Na esfera física, ficam mais fortes, mais rápidas, com mais coordenação motora e um peso corporal mais baixo. Acredito que seja possível conseguir tudo isso em uma academia, mas brincando é muito mais divertido, não é?

Para criança brincar é coisa séria;

Coisa séria sim, profissional não. É preciso entender que crianças não são adultos em miniaturas (elas estão em desenvolvimento). Quando submetidas a atividades com exigências muito maiores que aquelas descritas acima, problemas graves podem surgir.

Especialização precoce;

Quando privamos nossas crianças das atividades lúdicas e as incentivamos a praticarem atividades mais especializadas (esportes competitivos, por exemplo), estamos em muitos casos incentivando uma atividade incompatível com seu estágio de desenvolvimento. Estas atividades podem gerar fadiga excessiva, problemas articulares e compensações funcionais no primeiro momento. Mas as sequelas podem se estender até problemas respiratórios, cardiovasculares e psicológicos (este último muito comum).

Só para exemplificar e sem nenhum tipo de preconceito com as atividades descritas, tenistas mirins frequentemente tem epicondilite (inflamação dos epicôndilos), ginastas mirins sofrem com dores lombares, jovens corredores são acometidos com problemas respiratórios e outros “pequenos atletas” apresentam quadros deletérios à saúde física e psicológica. Isso faz sentido?

Esporte não é igual à saúde, mas pode ser;

Sempre me lembro desta frase: Esporte é saúde! Isso não é verdade. Esporte não competitivo é saúde. Esporte competitivo não faz bem a saúde. Em sua maioria, atletas precisam lidar com estresse e dor o tempo todo. Agora imaginem as crianças? Quando você assiste a uma partida de voleibol para crianças a bola é mais leve ou menor? A quadra é diferente? Se não estamos falando de adultos em miniaturas, não seria mais correto ter tudo adaptados para elas? Na natação, no atletismo, no tênis, na ginástica olímpica e em outras tantas atividades, isso também não ocorre e em algum momento estes pequenos detalhes farão toda a diferença.

Crianças podem praticar esporte;

Mas todo o trabalho deve ser supervisionado por um profissional de educação física e voltado a ludicidade. Ela deve brincar durante as atividades, sem pressão alguma por resultados, sem a obrigação com a frequência em treinos, sem competições, sem concorrência com outras atividades igualmente importantes para seu desenvolvimento e devem ser educadas a praticarem esportes porque gostam e não porque precisam.

Crianças podem frequentar academia;

Crianças podem frequentar a academia de ginástica, desde que supervisionadas e com motivos próprios para isso. Mas nunca a academia de ginástica deverá substituir totalmente as brincadeiras ou os esportes não competitivos (leia-se academia de ginástica = Musculação, Pilates e exercícios ergométricos).

Crianças podem fazer musculação;

A partir de oito anos de idade, sim. Parece loucura não é mesmo? Mas se seu filho odeia esporte e adora ficar parado na frente do computador o dia inteiro, você deve pesar o que é melhor: Ele ir para a academia fazer exercício ajudando o desenvolvimento físico, social e psicológico ou ser sedentário engordar e ter problemas de saúde. O que você acha melhor?

Esta matéria foi apresentada no Fantástico no dia 01/11/09. Assistam ao vídeo e tirem suas conclusões.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1152037-7823-MEDICOS+REPROVAM+MUSCULACAO+PESADA+PARA+CRIANCAS,00.html

3 comentários:

gballve disse...

Maneiríssimo o texto. Vou mandar pros meus amigos e parentes que são pais de crianças que ainda vão brincar muito por aí, e guardarei pra quando tiver os meus filhos!

francescajobim disse...

Muito boa a matéria... sempre tem alguma coisa que a gente nunca pensou, né, impressionante! Realmente tudo deveria ser adaptado para as crianças. Ainda nos falta muito bom senso msm!

Quarto café com leite e um pouco de açúcar. disse...

Finalmente eu apareci aqui pra fazer um comentário(e prestigiar o seu tão falado blog, é claro). Ótimo post, anderson ! Você escreve muito bem, o blog tá de parabéns!
beijos,
Lara

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