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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Comer consciente pode ser solução para vida agitada

Conceito que propõe mais atenção ao sabor e à textura dos alimentos poderia ajudar a combater a obesidade, dizem especialistas

Tente o seguinte: coloque uma garfada de comida na boca. Não importa o quê, mas de preferência algo que você goste muito – vamos supor que seja um ravioli perfumado e perfeitamente cozido.

Agora vem a parte difícil. Coloque o garfo de volta no prato. Isto pode ser muito mais difícil do que você imagina, porque a primeira mordida foi muito boa e pede por outra imediatamente na sequência. Você está com fome.

O experimento de hoje, no entanto, envolve se conscientizar daquele reflexo impulsivo de querer comer sua refeição como se não houvesse amanhã. Resista a ele. Deixe o garfo sobre a mesa. Mastigue devagar. Pare de falar. Preste atenção na textura da massa, no sabor do queijo, na cor do molho no prato, no aroma do vapor ascendente.

Continue assim durante toda uma refeição e você irá experimentar os prazeres e frustrações de uma prática conhecida como alimentação consciente.

O conceito tem raízes nos ensinamentos budistas. Assim como existem diferentes maneiras de meditar, muitos professores budistas estimulam seus alunos a meditar com os alimentos, uma forma de expandir a consciência, prestando muita atenção na sensação e na finalidade de cada pedaço. Em um exercício comum, um estudante recebe três passas, ou uma tangerina, e passa 10 ou 20 minutos olhando, meditando sobre o alimento, segurando e mastigando pacientemente cada um de seus pedaços.

Ultimamente, tais experimentos com a boca e a mente começaram a se espalhar para uma área secular, da Escola de Saúde Pública de Harvard até o campus do Google na Califórnia. De acordo com alguns especialistas, o que parece ser o mais simples dos atos – comer devagar e realmente saborear cada mordida – pode ser o remédio para uma nação que vive bombardeada por novas dietas que nunca parecem solucionar o problema da obesidade.

Comer consciente não é uma dieta, e tampouco se trata de deixar de comer algo. É sobre experimentar a comida de uma maneira mais intensa – focando especialmente no prazer que ela proporciona. Você pode comer um cheeseburger conscientemente, se desejar. Você pode apreciá-lo muito mais. Ou você pode decidir, no meio, que seu corpo já obteve o que precisava. Ou que ele realmente precisa de uma salada.

"Isso é uma antidieta", diz Jan Chozen Bays, um pediatra e professor de meditação de Oregon e autor do livro "Mindful Eating: A Guide to Rediscovering a Healthy and Joyful Relationship with Food" (Comer consciente: um guia para redescobrir uma relação saudável e prazeirosa com a comida, em tradução livre). "Acho que o problema fundamental é que nós não somos muito conscientes quando comemos."

Os últimos anos trouxeram uma série de livros, blogs e vídeos sobre o comer consciente. Uma nutricionista de Harvard, Lilian Cheung, tem se dedicado a estudar os seus benefícios e incentivado empresas e prestadores de serviços de saúde a experimentarem a prática.

No Laboratório de Alimentos e Marcas da Universidade de Cornell, Brian Wansink, autor do livro "Mindless Eating: Why We Eat More Than We Think" (Comer sem pensar: porque comemos mais do que pensamos, em tradução livre), realizou dezenas de testes sobre os fatores psicológicos que levam à nossa necessidade de comer de uma maneira desesperada. A hora do almoço consciente recentemente se tornou parte do calendário do Google, e gurus de autoajuda, como Oprah Winfrey e Kathy Freston, tornaram-se apoiadoras da prática.

Com a comilança de feriados como os de Ação de Graças, o Natal e o Super Bowl já deixados para trás, porém com a Páscoa a caminho, vale a pena ponderar se comer consciente é algo que todos deveriam adotar. Poderia uma disciplina iniciada por monges budistas ajudar a nos ensinar como ser mais saudáveis, aliviar nosso estresse e acabar com muitas das neuroses que temos associado com a comida?

Cheung está convencida de que sim. Na semana passada, ela se reuniu com membros da equipe dos Peregrinos da Saúde de Harvard e pediu que eles tentassem experimentar comer uma amêndoa com cobertura de chocolate de uma maneira mais consciente. "O ritmo de vida está cada vez mais rápido, então nós realmente não temos a mesma consciência e a mesma capacidade de olhar para dentro de nós mesmos", disse Cheung, que, com o monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh, co-escreveu "Savor: Mindful Eating, Mindful Life" (Sabor: Comer Consciente, Viver Consciente, em tradução livre). "É por isso que comer consciente está se tornando cada vez mais importante, pois nós temos que nos perguntar: 'O meu corpo precisa disso? Por que será que eu estou comendo isso? Será que é apenas porque eu estou triste e estressado?'"

O tópico também tem circulado pelos meios culinários que tendem a ser mais focados no excesso do que no estilo de vida da contenção monástica. Em janeiro, Michael Finkelstein, um médico holístico que supervisiona o SunRaven, um centro holístico localizado em Bedford, Nova York, deu uma palestra sobre jardinagem e comer consciente na sede da Fundação James Beard, em Nova York. "Para mim, a questão não é quais são os alimentos certos para se comer", disse ele em uma entrevista. "A maioria das pessoas tem uma idéia geral de quais são os alimentos saudáveis, mas elas não os comem. Para mim, comer consciente é o que passa pela sua mente quando você está comendo."

Jan Chozen Bays tem certas recomendações que podem soar como um retorno à uma época mais simples. Se é impossível comer conscientemente todos os dias, planeje pelo menos um dia da semana fazer uma refeição especial. Desligue a televisão e sente-se na mesa acompanhado por pessoas queridas.

"Que tal nos primeiros minutos da refeição, nós comermos em silêncio e realmente tentarmos desfrutar da nossa comida?" ela sugere. "É algo que tem que acontecer passo a passo."

Às vezes, até mesmo ela está muito ocupada para contemplar um grão de bico. Portanto, há dias em que Bays bebe três goles conscientes de chá, e então diz "OK, eu tenho que trabalhar", disse. "Qualquer um de nós pode fazer isso em qualquer lugar." 

Até mesmo comer um burrito no carro oferece uma oportunidade para a introspecção. "Comer consciente inclui também a alimentação irracional", disse ela. "'Eu estou ciente de que estou comendo e dirigindo."

Poucos lugares nos Estados Unidos são tão cheio de atividades como a sede do Google, em Mountain View, na Califórnia, mas quando Thich Nhat Hanh visitou o local um dia, em setembro, centenas de funcionários apareceram para aprender com ele.

Parte do evento foi dedicada para que as pessoas pudessem comer em silêncio, de uma maneira introspectiva, e a prática foi tão bem recebida que um almoço vegan de uma hora sem que ninguém fale nada agora acontece todos os meses no campus do Google. "Curiosamente, muitos dos participantes são os engenheiros, o que nos agrada muito", disse Olivia Wu, uma chef executiva da empresa. "Eu acho que acalma a mente. Acho que há um sentido real de se sentirem restaurados, para que possam voltar para o ritmo alucinante em que trabalham."

Afinal de contas, não é sempre que os técnicos conseguem parar e apreciar o cheiro do pesto. "Algumas pessoas irão dizer: "Eu tenho comido bem menos", disse Wu. "E outras irão dizer: "Você sabe, eu nunca tinha reparado no gosto picante da rúcula." E esse pode ser o ingrediente principal que está ajudando o ato de comer consciente ganhar mais popularidade na cultura americana: o sabor.

"Muitas pessoas se encontram em uma relação negativa com a comida, o que é muito trágico", disse Bays. "Comer deveria ser uma atividade prazerosa."

Fonte: IG

Um comentário:

Anderson disse...

Meus comentários sobre a pesquisa:

Este artigo foi publicado no jornal The New York Times na semana do dia 17 de Fevereiro de 2012. Pesquisas deste tipo, com "exercícios mentais" para controle do comportamento humano, estão fervilhando lá fora e chegam ao Brasil graças a internet com uma frequência excelente. Tenho lido diversas delas, algumas já publicadas aqui, onde a participação da cabeça, mais especificamente do cérebro, aumenta a cada dia a performance em dietas, treinamento físico e em competições.

Raparem que este artigo não fala sobre uma questão mística. A neurofisiologia (ciência), ainda muito obscura para a maioria de nós, dá respaldo a estas informações, demostrando a importância de um treinamento multidisciplinar, onde psicólogos, médicos, nutricionista e professores de educação física trabalham juntos, mostrando ao cliente que não existe na vida humana apenas o corpo ou a mente.

Chega dualidade.

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