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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Os benefícios do Exercício Físico para o cérebro

Por Anderson Brandão

Para saber mais sobre como o exercício afeta o cérebro, cientistas na Irlanda pediram a um grupo de estudantes universitários, sedentários, do sexo masculino, para participar de um teste de memória: eles deveriam assistir a um “slide” com fotos e nomes de desconhecidos, memorizando rapidamente o máximo de nomes e rostos possíveis.

O grupo foi dividido em dois, e enquanto a metade dos estudantes aguardava em silêncio, sentados por 30 minutos, a outra metade pedalou em uma bicicleta ergométrica, de forma progressiva (as cargas aumentavam de tempo em tempo), até que ficassem completamente exaustos.

Após finalizarem a primeira parte dos testes, ambos os grupos foram mais uma vez submetidos ao “quebra-cabeça” com as fotos e nomes.

A conclusão foi que o grupo de estudantes que pedalou até exaustão, obteve um resultado significativamente melhor imediatamente após o exercício, que em sua primeira tentativa, enquanto o grupo que se manteve sentado em silêncio por 30 minutos, não demonstrou melhora alguma em sua segunda passagem pelo teste memorização.

Durante as duas partes da experiência, foram colhidas amostras de sangue, que forneceram um explicação biológica para a melhora entre os grupos.

Os universitários que pedalaram até a exaustão, apresentavam um significativo aumento de uma proteína conhecida como fator cerebral neurotrófico derivado ou BDNF (sigla em inglês), que é conhecido por promover a saúde das células nervosas. Os estudantes que aguardaram sentados em silêncio, não obtiveram mudanças significativas nos níveis de BDNF.

Mesmo acreditando que o BDNF ajudaria a explicar porque o funcionamento mental parece melhorar com o exercício, os cientistas não entenderam completamente que partes do cérebro são afetadas ou como esses efeitos poderiam influenciar o pensamento. No entanto, o estudo Irlandês sugere que o aumento de BDNF produzido pelo exercício pode desempenhar um papel particular na melhoria da memória.

Novos estudos chegaram a conclusões semelhantes. Alguns realizados com humanos, outros com animais, de diferentes sexos e de várias idades.

Em outro estudo, desta vez realizado por cientistas brasileiros em ratos velhos, descobriu-se que após realizarem exercícios físicos por 5 minutos, foram desencadeados processos bioquímicos em seus centros de memória (que duraram 5 semanas), o que resultou em um aumento de BDNF, fazendo com que estes ratos tivessem um desempenho quase tão bom, em testes de memória para roedores, quanto um grupo de ratos mais jovens, igualmente testado.

Outro estudo bastante interessante, este realizado por pesquisadores do Centro de Pesquisa Brain Injury da Universidade da Califórnia, Los Angeles, e publicado em setembro de 2011 na revista Neuroscience, mostrou que ratos adultos que se exercitavam com frequência, quando comparados com ratos sedentários, apresentavam mais do que moléculas de DBNF. Em seus cérebros, fervilhava uma nova população de moléculas precursoras que, presumivelmente, facilitariam o aumento de mais moléculas de BDNF, ajudando ainda mais a memória e o funcionamento do cérebro.

Talvez a mais inspiradora das experiências recentes que envolvem o envelhecimento foi a publicada no mês passado na revista Translational Psychiatry, onde os cientistas da Stanford University School of Medicine testaram 144 experientes pilotos, entre 40 e 65 anos de idade, solicitando-os a operar um simulador de cockpit, em três oportunidades diferentes, ao longo de 2 anos.

Para todos os pilotos, o desempenho caiu um pouco com o passar dos anos. Uma redução semelhante com a idade, que é comum em todos nós humanos. Afinal, muitas pessoas acham mais difícil executar tarefas qualificadas, como dirigir um automóvel, só para exemplificar, ao longo de alguns anos de vida. Mas neste caso, o declínio foi particularmente notável entre um grupo específico de homens testados.

Nestes pilotos, o envelhecimento realizou uma variação genética comum, que é responsável pela redução da atividade BDNF em seus cérebros. Os homens com uma tendência genética para níveis mais baixos de BDNF, pareceu perder sua capacidade de realizar de realizar tarefas complicadas, em uma proporção quase o dobro da taxa dos homens sem a variação genética.

Agora, os cientistas querem saber qual a relação que o exercício físico pode ter em retardar tais quedas observadas, nos níveis de BDNF cerebral, e assim, correlacionar este fato com a possibilidade de melhora da capacidade de realizar tarefas qualificadas com o passar da meia-idade.

Muitos estudos tem sugerido que o exercício melhora a qualidade e ainda, aumenta a quantidade de BDNF em humanos e animais que praticam alguma atividade física extenuante, demonstrando que o BDNF seja o mais promissor de todos os produtos químicos produzidos pelo cérebro.

Em pessoas que têm a variante com menor quantidade ou atividade BDNF, o “exercício é provavelmente ainda mais importante”. “Mas para todos, a prova é muito, muito forte que a atividade física vai aumentar os níveis de BDNF e melhora a saúde cognitiva".

Fonte: New York Times

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