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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Trabalhar em Wall Street faz mal à Saúde

Acrescente a profissão de banqueiro de investimentos na lista das coisas que podem fazer mal à saúde.

Uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia (USC) encontrou insônia, alcoolismo, palpitações, distúrbios alimentares e temperamento explosivo entre profissionais iniciantes de bancos de investimentos que ela monitorou, assim que eles saíram da faculdade de administração.

Todos os indivíduos observados durante dez anos desenvolveram uma doença física ou emocional relacionada a estresse, diz o estudo que será publicado este mês.

Há muito o setor de banco de investimentos exerce grande atração sobre pessoas ambiciosas que anseiam por competição, muito dinheiro, jantares extravagantes e transporte de limusine pago pela empresa. A semana de trabalho de cem horas é apenas a primeira fase de um jogo de altas apostas.

Mas banqueiros de investimentos e operadores são apenas seres humanos. Sob o imenso estresse do trabalho, muitos sofrem problemas pessoais e emocionais que se transformam em crises graves, e alguns desenvolvem doenças que persistem por muito tempo depois que eles abandonam o setor.

Lindley DeGarmo, de 58 anos, ex-conselheiro da Salomon Brothers, que deixou a indústria financeira em 1995 para se tornar pastor de uma igreja protestante, recorda como os gerentes muitas vezes faziam os jovens contratados trabalharem até a exaustão. "A cultura lá era que esses eram corpos de cachorros", diz ele.

John Chrin, ex-diretor-gerente do JP Morgan Chase, que deixou a companhia em junho de 2009 para se tornar um executivo-residente da Universidade de Lehigh, se lembra de ver novos funcionários engordarem de 15 a 20 quilos em alguns anos após assumirem uma posição.

Quando trabalhou no Merrill Lynch, agora uma divisão do Bank of America (BofA), Chrin se lembra do episódio em que um diretor-gerente mandou um motorista ligar o ar-condicionado apesar de ele estar quebrado, o que fez o carro pegar fogo. Esse diretor ameaçou então despedir o motorista. O Bank of America não quis comentar o assunto. "Talvez o trabalho aumente algumas tendências que já existem", diz ele.

O estudo da Universidade do Sul da Califórnia começou há uma década em dois bancos de Wall Street que deram acesso à pesquisa, sob a condição de permanecerem anônimos. O estudo será publicado na próxima edição da "Administrative Science Quarterly", que deve sair ainda este mês.

Alexandra Michel, professora assistente de gestão na Faculdade de Administração Marshall, da USC, seguiu de perto os banqueiros de investimento em seus escritórios - sentando-se perto deles, acompanhando-os em reuniões, imitando a sua jornada de trabalho e até mesmo varando noites - por mais de 100 horas por semana durante o primeiro ano, cerca de 80 horas por semana no segundo ano, e então deu sequência com entrevistas pessoais.

Durante os dois primeiros anos, os jovens executivos trabalharam em média de 80 a 120 horas por semana, mas se mantiveram animados e cheios de energia, conta Alexandra. Normalmente, chegavam às 6 da manhã e saíam por volta de meia-noite.

No quarto ano, porém, muitos deles estavam em péssimas condições, segundo o estudo. Alguns tinham carência de sono e culpavam seu organismo por impedi-los de terminar seu trabalho. Outros desenvolveram alergias e dependência de substâncias químicas. Outros, ainda, foram diagnosticados com problemas de saúde de longo prazo, tais como doença de Crohn, psoríase, artrite reumatóide e doenças da tiróide.

Enquanto isso, as "vantagens" oferecidas pela empresa - tais como refeições trazidas ao local de trabalho e motoristas - apagaram, aos poucos, a divisão entre o trabalho e a vida pessoal.

Um vice-presidente descreveu o trabalho como um pesadelo eterno, acordando todas as manhãs e desejando que o dia anterior tivesse sido "apenas um sonho mau". Outro vice-presidente disse que estava com tanto medo que os outros notassem o seu alcoolismo que "vivia perdendo metade do que diziam".

Ao chegar ao sexto ano de trabalho, os participantes do estudo, agora na faixa dos 30 e poucos anos, se dividiam em dois grupos: 60% continuavam "em guerra" contra seu próprio corpo e os outros 40% haviam decidido dar prioridade à saúde, ou seja, davam mais atenção ao exercício, sono e alimentação e só permitiam que o trabalho os consumisse até certo ponto.

Cerca de um quinto dos banqueiros deixou a profissão, observa a pesquisadora. Por medo de serem expostos, os bancos proibiram a pesquisadora de detalhar o tamanho exato do grupo de estudo, a taxa de abandono dos cargos e a data precisa em que o estudo começou.

Fonte: Valor Econômico

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