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terça-feira, 3 de julho de 2012

Um jogo pesado contra os hormônios que regulam a fome

Se você é daquelas pessoas que sempre pedem sobremesa mesmo depois de ter comido bastante, saiba que a culpa pode ser de um hormônio chamado grelina, que aumenta o apetite por alimentos calóricos mesmo quando se está de estômago cheio, segundo um estudo recém-divulgado da Carleton University, do Canadá. Em outro trabalho divulgado esta semana pela Jichi Medical University, no Japão, injeções diárias de oxitocina em animais reduziram a quantidade de alimentos consumida e ainda contribuíram para a perda de peso nove dias depois do tratamento. Só para citar descobertas recentes, há ainda a irisina, liberada pelos músculos durante as atividades físicas e que ajuda a transformar gordura branca em marrom, aumentando o gasto calórico. Ganhar e perder calorias não é apenas uma questão hormonal, mas a química de hormônios e neurotransmissores pesa na balança.

— No controle do peso, os hormônios mais importantes ainda são os relacionados à saciedade, como a leptina, e neurotransmissores estimulados por ela, como a melanocortina e o CART (regulador da transcrição de substâncias como anfetaminas e a cocaína). No sistema periférico, a maioria dos hormônios tem relação com a saciedade, com exceção da grelina, que está relacionada à fome e ao início da refeição

— explica a presidente do departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Rosana Radominski.

Segundo a pesquisadora Denise Pires Carvalho, professora titular do Instituto de Biofísica da UFRJ, com vários trabalhos relacionando a questão hormonal ao peso corporal, os hormônios mais determinantes para o emagrecimento são os da tireoide, que regulam a ingestão e aumentam o gasto energético em todos os órgãos. Quando usados para combater a obesidade, no entanto, esses hormônios causaram perda de massa magra e arritmia cardíaca.

Uma dupla do mal contra a boa forma

Outros estudos mostram o ganho de peso em mulheres na pós-menopausa relacionado ao estrogênio, que atua junto com a leptina e opera mudanças metabólicas como o bloqueio da saciedade no hipotálamo. Com isso, o organismo das mulheres passa a produzir mais lipídeos, mais glicose e a acumular gordura subcutânea.

— Ainda há muito a ser estudado. A leptina, por exemplo, controla a ingestão de alimentos e sua deficiência não promove a saciedade, levando à obesidade desde a infância. Estudos posteriores, porém, mostraram que os obesos têm leptina alta e resistência a ela no hipotálamo. Além disso, a causa da obesidade pode estar em maus hábitos e no sedentarismo, coisas que a leptina não pode ser usada para explicar — defende Denise, que aponta novos rumos nos estudos sobre o tema:

— Toda a questão da compulsão é muito pouco estudada e tem a ver com o eixo dos endocanabinoides (substâncias naturais do cérebro que têm efeito similar à maconha) e do sistema de recompensa. O que está na moda hoje é o uso dos endocanabinoides em ação periférica regulando o metabolismo sem eliminar o prazer relacionado à comida — diz.

Denise e o endocrinologista Amelio Godoy acabaram de orientar o trabalho de mestrado da médica Mariana Farage, que será apresentado neste fim de semana no encontro anual da Endocrine Society em Houston, EUA, justamente sobre endocanabinoides: eles estudaram 13 mulheres obesas e 10 magras (grupo de controle) que fariam cirurgias ginecológicas e tomariam anestesia. Os pesquisadores então dosaram o canabinoide anandamida no soro e no liquor (líquido do cérebro) dessas mulheres. Nas obesas, não houve aumento de anandamida no liquor, mas sim no sistema periférico.

— Isso quer dizer que no futuro pode ser possível desenvolver um remédio que não atue no sistema nervoso central, só no sistema periférico, e sem efeitos colaterais — explica Godoy. — Quando se fuma maconha, há um aumento no apetite por alimentos palatáveis, notadamente doces. Os endocanabinoides inibem justamente isso — conta o médico, que também cita a leptina como grande inibidora de apetite.

Para o endocrinologista Walmir Coutinho, integrante da Sbem e professor da PUC-Rio, hoje a importância fisiológica dos hormônios é imensa, mas a terapêutica é nenhuma, ou seja, servem para explicar o que acontece no organismo, mas não para tratamento:

— Às vezes, a pessoa engorda 20kg, 30kg e culpa a tireoide, mas isso não é verdade. O cortisol em excesso pode engordar, a leptina é importante, assim como a insulina, mas os hábitos da pessoa são mais determinantes para que ela engorde ou emagreça.

Com 22 anos de experiência em clínica médica, Tércio Rocha tem a mesma opinião e aponta os hormônios sexuais e da tireoide como os mais importantes para o ganho ou perda de peso. Ele divide ainda os hormônios em dois grupos: os com maior atuação cerebral na saciedade (serotonina, endorfinas, catacolaminas e oxitocina) e os que interferem na distribuição de gordura e no ganho de massa muscular (testosterona, GH e, de forma menor, a irisina), mas garante que não há milagre:

— Nem todos os hormônios são conhecidos nem foram 100% controlados, tanto que a obesidade é a doença que mais cresce no mundo desde a década de 80. Eles interferem no peso, mas a atitude mental da pessoa faz diferença.

Fonte: Extra / O Globo

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