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domingo, 21 de outubro de 2012

Como exercícios podem ajudá-lo a controlar novas habilidades


Por Gretchen Reynolds (tradução Renata Souza, revisão Anderson Brandão)

Você pode melhorar sua memória somente se mexendo?

Essa pergunta estimulou pesquisadores da Universidade de Copenhagen à fazer novos exames de como o corpo cria específicas memórias musculares e se o exercício desempenha algum papel no processo.


Para fazer isso, foi pedido a um grupo de homens jovens, saudáveis e destros, para dominar uma complicada habilidade de “seguir o modelo” no computador. Sentar de frente ao computador com o braço direito em um apoio para braço e um controlador parecido com um joystick na mão direita, os homens observaram uma linha vermelha na tela e tiveram que usar o controle para fazer a mesma linha com um cursor branco. O objetivo era ficar o mais perto possível da linha vermelha, uma tarefa que requer tanto dos músculos quanto da mente.

Os homens repetiram o este muitas vezes, até que o movimento de seguir a linha vermelha tenha se tornado quase automático. Eles estavam criando memória muscular em curto prazo.

O termo “memória muscular” é um termo impróprio. Músculos não criam ou guardam memórias. Eles respondem a sinais cerebrais, onde a memória de cada movimento é formada e guardada. Mas memória muscular – ou “memória motora”, é a referência mais usada entre os cientistas – existe e pode ser muito potente. Um ótimo exemplo é aprender como andar de bicicleta quando jovem, abandonar isso por 20 anos e ainda assim, ser capaz de subir em uma bicicleta e pedalar com êxito.

Até a data, a maioria dos estudos sobre os efeitos dos exercícios sobre a memória analisaram as atividades mais intelectuais, como memorizar uma lista de palavras. Nesses casos, os exercícios regulares parecem ter ajudado a melhorar algumas habilidade gerais do cérebro, entre elas, a memória.

Os cientistas de Copenhagen esperavam ver como os exercícios influenciam no desenvolvimento e na consolidação das memórias físicas.  Por isso antes dos voluntários dominarem o teste da linha vermelha, eles primeiro separaram um terço do grupo que andou de bicicleta numa intensidade alta, mas não exaustiva por 15 minutos. Os outros dois terços do grupo ficaram quietos durante esse tempo.

Então, depois do teste motor no computador, um terço daqueles que antes haviam descansado fizeram os mesmos 15 minutos andando de bicicleta. Os outros descansaram.
Todos os voluntários repetiram o teste de seguir a linha vermelha depois de uma hora, uma vez por semana, para analisar o quão bem eles tinham aprendido e se lembrado de uma habilidade em particular.

As pontuações deles em velocidade e precisão de seguir a linha foram quase idênticas no ponto de uma hora, contudo o grupo que pedalou depois da primeira sessão de teste foi um pouco menos preciso.

Após uma semana as coisas estavam diferentes. Os homens que fizeram exercícios imediatamente depois de aprender uma habilidade motora foram melhores em se lembrar da tarefa, com o seu rastreamento da linha vermelha no computador mais ágil e preciso. Os homens que tinham se exercitado antes de aprender a nova habilidade não foram tão hábeis agora, contudo eles eram melhores do que o grupo que não tinha se exercitado.

O que esse resultado sugere, diz Marc Roig, pesquisador pós-doutor na Universidade de Copenhagen que realizou o estudo com seu colega Kasper Skriver, é que o exercício físico pode ajudar o cérebro a consolidar e armazenar memórias físicas ou motoras.

Consolidar uma memória não é algo instantâneo, apesar de tudo, ou até mesmo inevitável. Cada memória pode ser codificada e transformada de curto prazo para armazenamento de longo prazo. Algumas dessas memórias são, por qualquer razão, mais vivamente impressas do que outras.

Pode ser que, exercício físico aeróbico feito logo após uma memória ser formada intensifica o ‘imprinting’, Dr. Roig diz, tornando a memória mais forte. Em curto prazo, porém, os exercícios podem deixar o cérebro superestimulado, fazendo-o menos capaz de acessar e identificar novas memórias. Essa pode ser a razão porque os homens que exercitaram depois de aprender a nova habilidade tiveram o pior desempenho quando o teste de memória-motora foi refeito.

Mas eles tiveram um desempenho melhor em longo prazo, porque a memória deles da nova habilidade foi mais resistente.

Como um simples treino pode fortalecer uma memória em particular é incerto, Dr. Roig reconhece, mas ele suspeita da bioquímica. “Existem evidências que o exercício aeróbico produz substâncias” no cérebro, como um fator neurotrópico derivado do cérebro e 'noradrenalina', que leva a consolidação da memória e aprendizado, ele diz.

Ultimamente, como o exercício age nesse contexto pode ser menos significante para maioria, do que quando o “timing do próprio exercício”, Dr. Roig, diz. Para ser efetivo máximo, ele precisa ser feito “exatamente depois de ser exposto a uma informação que deva ser lembrada”.

Deseja aprender como andar de bicicleta? Então pedale e assim que conseguir acabar com um treino (qualquer tipo de treino de ciclismo, ainda que em bicicleta estacionada), faça um pouco de outro exercício. Parece que isso pode ser capaz de cimentar a memória de como ‘andar de bicicleta’. O mesmo vale se você acabou de melhorar a velocidade do seu saque no tênis ou a velocidade do seu chute no futebol e logo depois correr.

Se essa mesma corrida vai fortalecer a criação e armazenamento de memórias mais intelectuais, isso ainda precisa ser estudado, contudo Dr. Roig é otimista. Ele e seus colegas estão trabalhando com jovens estudantes em Copenhagen para determinar se eles tiverem uma pequena corrida ou qualquer outro exercício imediatamente após terem aprendido um novo conceito, vai melhorar a pontuação deles nos testes posteriores sobre esse conceito. Os primeiros resultados são promissores e poderiam fazer o domínio da álgebra quase revigorante.


Fonte: New York Times

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