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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Seu cérebro tem fome de quê?

por Guilherme Rosa
 

O órgão responsável por regular o consumo de alimentos, remédios e drogas nos Estados Unidos chama-se Food and Drug Administration (FDA). É dali que saem as decisões sobre o que um americano pode encontrar nas prateleiras da farmácia, do supermercado ou somente no mercado negro. Gary Wenk, professor de neurociência na Ohio State University, EUA, acha que as fronteiras entre essas categorias são muito mais tênues e espera que os agentes do órgão não estejam por dentro dos assuntos que discute em sala de aula. “Se soubessem, eles seriam obrigados a regular a venda de barras de chocolate.” 

De acordo com Wenk, o doce contém um número grande de psicoativos. “O pó de cacau tem substâncias similares à cafeína, às anfetaminas e à maconha, além de liberar opiáceos no corpo”, diz. Em seu livro mais recente, Your Brain On Food (A comida no seu cérebro, sem edição no Brasil), o cientista mostra que não é só o chocolate — quase tudo que comemos, seja droga ou comida, tem efeito em nosso funcionamento cerebral. Ao longo da história, aliás, nutrientes e psicotrópicos se confundiram diversas vezes. 
 
Em cada ocasião que o café surgia numa determinada cultura, era bem recebido como alimento. “Depois, passava a ser visto com temor pelo seu efeito estimulante e políticos mandavam fechar casas de café”, diz Wenk. A diferença está baseada em fatores culturais. Tanto que sensações de prazer, de relaxamento, de euforia e até alucinações podem vir quando ingerimos alimentos comuns, do dia a dia, como açafrão ou erva-doce, que contêm substâncias capazes de mudar nosso estado psíquico, por exemplo. “Ao estudar como esses químicos interagem com o comportamento humano, podemos manipular nosso humor e até desvendar o funcionamento do corpo.