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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Matéria do site O GLOBO de ontem: Vanessa de Figueirero Protásio, uma máquina de correr aos 60 anos

Por Iuri Totti (blog Pulso, O Globo)

Vanessa de Figueiredo Protásio, segundo a teoria do psiólogo sueco Anders Ericsson*, já cumpriu mais que as 10 mil horas de treino para alcançar a excelência no esporte que pratica: correr maratonas. Obstinada, ela já deu algumas voltas na Terra para conquistar os inúmeros pódios que vem ganhando nos últimos 32 anos. E que gatilho a movimentou? Ela se descobriu uma atleta vocacional aos 27 anos, quando cumpriu 8 quilômetros em seu primeiro treino e teve sua percepção corporal do mundo. Para essa maratonista, como define Olavo Feijó, em seu livro "Psicologia para o esporte" – as dezenas de quilômetros significam o ambiente que suas pernas devem percorrer, apoiadas por todos os outros mecanismos de ,seu corpo.

E a essa vocação de Vanessa, soma-se, entre outros, o gosto por desafios. Somente treinar, sem se colocar em teste, não interessa. A presença em provas, para quem sente a necessidade premente de evoluir, de quebrar recordes, de superar a si mesma é fundamental. E com base nessa premissa que Vanessa traçou para si um desafio em 2013: conquistar o pódio no XX World Master Athletics, no próximo dia 27, presenteando-se pelos 60 anos de vida que serão completados neste domingo. 

E para tal desafio, não adiantava fazer mais do mesmo. Ela precisava ousar e de forma mais estruturada. Em janeiro, ela firmou as parcerias com o fisiologista do exercício e personal trainer Anderson Brandão e com a nutricionista Carolina Paz. Ambos, de acordo com a mensuração e avaliação de parâmetros fisiológicos, criaram planos de ação mediante o objetivo apresentado por Vanessa. 

O fisiologista do exercício Anderson Brandão, que já trabalhou com atletas de ponta, realiza hoje trabalho específico para performance com atletas amadores com grande potencial e lança mão de ferramentas como o exame de ergoespirometria computadorizada ou calorimetria indireta, que é um método que permite a monitoração e o registro, em tempo real, da ventilação pulmonar e das trocas respiratórias, figurando-se como metodologia de suma importância na análise mais precisa e adequada das respostas cardiorrespiratórias e metabólicas durante o exercício. “Desta forma, sabe-se quando e como treinar e quais as zonas tem que se estabelecer. Serve também para saber quanto ela precisa comer para produzir a energia gasta no treinamento”, resume Anderson. 

Além disso, Vanessa, que já é uma atleta de competição, precisou inserir novos hábitos na rotina. Passou a fazer musculação três vezes por semana, alongamento e exercícios de flexibilidade e teve novidades também no treinamento. 

Segundo Anderson, “um amador no nível da Vanessa corre em média 80 km por semana para fazer uma maratona (período específico). Desta rodagem, 20 ou 30% são feitos com qualidade. Para aumentar esse percentual, levando em consideração variáveis que considero de muita importância, Vanessa passou a treinar 50 km por semana, equalizando melhor o tempo dedicado a nutrição para modulação hormonal, sono para promover as adaptações ao treinamento e a alternância de trabalhos musculares para uma recuperação ativa da musculatura. Fato é: nós treinamos mais, quando não estamos correndo e por isso corremos mais quando estamos de fato treinando. Sem falar no trabalho mental que fazemos... Muito treinamento mental...pois na competição ela vai entrar na zona dela de desconforto". 

Na questão da nutrição, segundo a nutricionista Carolina Paz, que lida desde 2008 com atletas de performance, a alimentação para mulheres-atletas como Vanessa, que competem para pódio aos 60 anos, é especial. Os cuidados nutricionais devem ser redobrados para que a estratégia alimentar supra de forma eficiente a demanda energética e de nutrientes. 

“Após os 50 anos as mulheres corredoras podem precisar de quantidades extras de cálcio, magnésio, vitamina D, vitamina B12, potássio e zinco”, afirma Carolina. 

Além disso, é importante ingerir alimentos ricos em substâncias antioxidantes para combater a ação nociva dos radicais livres e retardar o processo de envelhecimento celular. Entre as vitaminas, as imprescindíveis para as corredoras são a C e a E, importantes antioxidantes, além do mineral selênio, que também ajuda a combater os radicais livres. Essa maior necessidade de nutrientes pode ser reposta através de uma alimentação equilibrada e variada. Porém, quando tratamos de atletas, apenas a alimentação é insuficiente para adquirir todos os nutrientes necessários e nesse caso a suplementação alimentar é um caminho interessante. 

Carolina, estrategicamente, ajustou a alimentação de acordo com a rotina diária e treinos e apresentou à Vanessa os suplementos: 

“Vanessa sempre havia treinado sem utilizar nenhum tipo de suplemento alimentar e após nossa conversa e minha orientação, ela iniciou uma suplementação nutricional adequada para o volume de treinos, o que ajudou principalmente em relação a ganho de energia durante os treinos e na recuperação muscular pós-treino”. 

Tanto para Carolina quanto para Anderson, Vanessa é um exemplo. Além de uma saúde invejável, que é refletida de dentro para fora, ficando ao alcance dos olhos de qualquer um que a vê esbanjando força, energia e vitalidade, ela é uma atleta nata e o fato dela ser coach facilita muito o trabalho. 

Segundo Carolina, “ela é muitíssimo disciplinada, focada e tem muito autocontrole. No meu trabalho como nutricionista, diversas vezes acabo desempenhando um papel muito parecido com o do psicólogo, pois a alimentação está muito associada a sentimentos, a prazeres, a emoções. Para mexermos com tudo isso, e para que a mudança de hábitos alimentares se concretize e perdure, é necessário que haja definição de metas realistas, planejamento, determinação e disciplina. O trabalho mental nesse caso é fundamental”. 

Para Anderson, que teve uma prévia do potencial de Vanessa na maratona do Chile completada em 3h35m04s, ela está praticamente pronta para atingir seu momento de "peak performance", voltando a reviver seu ápice como quando foi vencedora nas maratona do Rio e Corrida da Ponte, em 1982. 

* O sueco Anders Ericsson é psicólogo e professor eminete de psicologia da Universidade Estadual da Flórida, amplamente reconhecido como um dos principais pesquisadores teóricos e experimentais do mundo. Atualmente, ele estuda a estrutura cognitiva de desempenho de alta performance em diversas áreas. 

 * Carolina Paz atua como nutricionista do esporte desde que se formou, em 2005, atendendo em grandes academias de Curitiba (PR), Santos (SP) e atualmente no Rio de Janeiro. O trabalho mais específico com atletas profissionais e amadores começou em 2008, em Santos. carolinapaz.nutricionista@gmail.com 

* Anderson Brandão é um dos sócio da Academia Posto 11, no Leblon, no Rio de Janeiro. Além de fisiologista do exercício, tem formação em educação física e Coach. anderson@seupersonaltrainer.com.br

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